Nunc Locosa Cacatus
Se você nunca passou por aquele momento em acidentes acontecem e suas entranhas eliminam o produto antes de se poder chegar ao destino final, o sagrado trono de albina porcelana, este texto até pode lhe ser útil, mas não foi pensado para você.
Há momentos em que o universo conspira a seu favor, todos os tique-taques do relógio visceral lhe direcionam a um momento tranquilo de relaxamento interior, onde aquilo que não te incrementa pode ser eliminado suavemente, com esforço módico em allegro moderato. Esta é uma experiência rara para criaturas de meu porte.
Em geral, meu desenvolvimento eliminatório passa por etapas complexas e demoradas. Não que você esteja interessado em saber os procedimentos, sei que não, mas é importante descrevê-los parcamente para que possamos prosseguir no propósito deste texto, que irá incrementar dados sobre comportamento excremental a sua pessoa, o que creio ser importante passo para uma convivência sanitária entre seus iguais.
Como ia dizendo, meu processo é dividido em episódios, que em algumas vezes são dolorosos e requerem pausas no procedimento para não causar constrangimentos posteriores ao assumir um assento, uma vez que passo praticamente o dia todo frente a esta maravilhosa caixinha mágica chamada computador.
Sem mais delongas, prossigo comentando os casos em que não se chega à casinha de força prontamente, seja por descaso de outrem, seja por problemas de locomoção ou outros impedimentos diversos. É da natureza o fato de que excrementos possam ser reaproveitados pelo meio ambiente, mas no caso do ser humano, há muito isso não mais é uma verdade. Tendo isso em vista, há vários protocolos que deveriam ser mais assumidos quanto a esse pequeno descaso externo quanto à limpeza de suas tripas.
É deveras higiênico e de bom tom preparar o ambiente para tais eventualidades, portanto mantenha produtos de limpeza em áreas estratégicas quando não possível distribuí-los no local. Isso é facilmente conseguido em ambientes fechados, como o escritório, salas, cozinhas e dormitórios.
Agora, numa área livre, leia pública, não há simplicidade em resolver a questão, certo? Pense em quantas pessoas se sentiram constrangidas com um trono infectado e transbordante em uma bodega, loja, shopping, estacionamento, etc. ou ainda um assento perfumado e/ou carimbado em locais indevidos, como parques, meio-fios e por aí em diante… Nesses casos, o problema e suas escolhas quanto a procedimento, seja você a vítima ou o causador devem estar sob sua responsabilidade e não serei quem dita a etiqueta.
Um aspecto importante que se peca em muito é assumir essa responsabilidade, uma vez que se está em local público e dane-se o próximo. Lembre-se, você é o próximo de alguém e este texto já perdeu seu propósito cerca de dois parágrafos atrás. Vamos ver o que se salva do restante desse texto no próximo parágrafo.
Talvez uma nova postura humana deva ser aplicada quanto ao processo de extinguir a escória interior. Uma postura social, talvez, em que se pense mais nos que nos rodeiam ou podem a vir nos rodear posteriormente ao momento fecal. Que humanitário é a você deixar o local impraticável, ou ainda abençoar a todos com o ardoroso odor úmido e por vezes cítrico-metálico?